quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Danças do Brasil (1958) - Felícitas Barreto


Nesta postagem vamos explorar o olhar de uma dançarina sobre a Capoeira,  ou melhor,  sobre o que se dizia da Capoeira na década de 1950. Prática na qual, segunda ela, teria uma coreografia e seus movimentos são tidos como “passos”.

A Autora.

Felícitas Barreto, alemã natural de Colônia, nasceu em 1910, veio para Brasil ainda muito jovem depois do termino da Segunda Guerra Mundial, quando pai havia perdido o emprego de engenheiro industrial. A família se instalou em Niterói. Dedicou grande parte de sua a vida à dança: começou na Escola de Bailados com Maria Olenewa e Ricardo Nemanoff. Apresentou-se no Teatro Municipal, na temporada de 1943. Em 1946, cria seu Ballet Folclórico Nacional, apresentando-se no Teatro João Caetano as coreografias: Tabu, Raio de Lua, Macumba, Casamento de Zumbi, Feitiço e Yamanjá. Sendo que a última, chocou o público e teve problemas com a censura, pois dançou rodeada por negros, nua da cintura para cima. Felícitas ainda trabalho em filmes e peças de teatro. Em 1958 lança a obra Danças do Brasil.




A Obra.

Pelas mãos de Felicitas Barreto foi lançado em 1958 à primeira edição de Danças do Brasil. Parafraseando a autora, “o livro é o resumo da fabulosa riqueza coreográfica que possui o Brasil”, nele foram catalogadas inúmeras manifestações de danças, exigindo grande esforço de pesquisa, tendo que viver na floresta entre índios e viver mais próxima do povo que conheceu nas suas viagens pelo interior do Brasil. Sendo assim, na primeira parte da obra encontramos somente danças indígenas e na segunda, folclore de todo o Brasil. È ai que encontramos um tópico que nos interessa: Capoeira.
Nesta parte, a autora a capoeira foi introduzida no Brasil, no século XVI, por negros Angola e Bantus. Uma luta que usaria pouco as mãos e muito as pernas e a cabeça, o que na obra se entende como algo de grande vantagem diante dos colonizadores europeus, desacostumados nessa forma de combate. E isso, explicaria, de certa forma. as proibições da prática durante o tempo. Bem, seriam, então, os negros astutos e encontram uma solução: “disfarçaram a capoeira como antes haviam disfarçado a sua religião, colocando nas lutas de capoeiras pantomimas, mímicas e danças acompanhadas de músicas.”.Ficando assim a sua definição de Capoeira:

“ A capoeira é um combate esportivo numa dança.”

Trata assim, a capoeira como dança e, desta forma, menciona os trajes usados, os instrumentos de música, a coreografia e seus passos. Acredito que o mais interessante nesta última parte, se refere a coreografia, pois nos dá uma visão mais plástica: O “preceiro” guando os capoeiras ficam de cócoras diante do berimbau para fazerem suas rezas e pedidos de proteção contra facas e golpes; os toque do berimbau e a forma de “dançar” diante dos diferentes ritmos (São Bento grande luta ligeira, baguela jogo lento com uso de peixeira, ...); e por fim, os passos (movimentos) como raspa, rasteira, tesoura entre outros. 

Vale a pena conhecer:











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