sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brasil no folclore (1970) - Prof. José Ribeiro

Brasil no folclore escrito pelo prof. José Ribeiro foi lançado em 1970. A obra cataloga uma série de elementos e aspectos do folclore brasileiro. O autor constrói (apropria-se de) uma série de verbetes sobre elementos da religiosidade e da cultura, resultante da relação entre os povos indígenas, africanos e europeus. 

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Prof. José Ribeiro de Souza nasceu em 22 de abril na cidade de Salvador. Ainda na infância se envolveu com a religiosidade afro-descendente, ingressou aos 13 anos na "Lei do Santo". Sua dedicação foi contemplada, anos mais tarde, a um estágio na Universidade de Coimbra e dali, embrenhou-se em sucessivas viagem a África Portuguesa. 
De volta ao Brasil teve uma intensa vida intelectual e religiosa: "Professor de Línguas Sudaneses do 'Instituto de Estudos Afro-Brasileiros'; membro do Supremo Conselho Sardedotal da 'União Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros'; sacerdore do Culto Nagô desde 1944; jornalista e radialista profissional, mantendo colunas assinadas em dois jornais (Gazeta de Notícias e Guanabara Norte Sul, e ainda, na Revista Mironga) membros do Círculo de Escritores de Umbanda; compositor e interprete de músicas folclóricas e afro-brasileiros; membro da Academia de Letras do Vale do Paraíba; ex-membro atuante de diversas entidades de Umbanda" (p. 11)
Grande parte de sua produção sempre esteve voltada a uma variedade de temas sobre religiosidade afro-brasileira, publicando em 1970 seu Brasil no folclore.

CAPOEIRA in Brasil no folclore.

Mestre Leopoldina
O verbete Capoeira é apresentado em dois momentos: o primeiro entre as páginas 274 a 284 e o segundo, entre as páginas 394 a 395. Não nos aprofundaremos na primeira parte, pois o texto é um cópia de um outro trabalho (Bahia: Imagens do povo e da terra de Odorico Tavares de 1951) e este, já foi aqui apreciado em 2011 em dois post's: Bahia: Imagens do povo e da terra e Bahia: Imagens do povo e da terra - Capoeira. No entanto, apesar desse percalço, José Ribeiro faz uma inserções de sua autoria. Ele, após texto de Odorico, que menciona os lugares para visitantes irem contemplar a capoeira na Bahia, menciona entre parênteses o trabalho desenvolvido pelo Mestre Leopoldina em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro.

Na segunda parte, o autor também faz a cópia da definição sobre a Capoeira realizada por Felícitas Barreto, em Danças do Brasil (1958). Obra que também realizamos uma postagem: Danças do Brasil (1958) - Felicitas Barreto.

Somente para lembrar esse pequeno texto, de duas páginas, possui argumentos que compõem o lugar comum das idéias sobre a capoeira (origem, estratégias e definições). Assim, para ele a capoeira veio da África com os negros de Angola e Bantus e era uma luta, como era a luta livre japonesa. Se caracterizava pelo uso das pernas e da cabeça, agilidade que lhes davam vantagens sobre os europeus acostumados ao uso das mãos quando em luta. E por isso, ela foi proibida pelos senhores de engenhos e ainda, sofreu repressão policial no Império e na Primeira Republica. A solução, segundo o texto, foi disfarçar a luta como se havia feito com a religião, "colocando nas lutas da capoeira pantominas, mímicas e danças acompanhadas de músicas. Assim podiam exercitar-se livremente. (...) disfarçada em divertimento, a capoeira sobreviveu e perpetuou-se até nossos dias." (p. 394).
Continua o texto mencionando os lugares que a capoeira começou, seus instrumentos e toques, o ritual da roda de capoeira para o inicio de um jogo e quais os  seus "passos".

Esses argumentos definem uma origem rural para a capoeira e pátria africana, diferente da argumentação de uma capoeira urbana e brasileira. Fique com o texto e tire suas conclusões.

 

 

 

 

 

 


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Semeando 2013-14 

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